9º Concurso Moda Inclusiva premia look com app que alerta temperatura e umidade

Quem acompanha o Suzanices já sabe que eu amo a moda que acolhe a todos, uma moda que seja agente transformador e que seja inclusiva e democrática. No sábado, 9 de dezembro, aconteceu o 9º Concurso Moda Inclusiva na Unibes Cultural, em São Paulo, e pela primeira vez assisti o desfile e acompanhei o resultado do concurso. Foi uma experiência incrível e minha admiração pelo projeto aumentou muito.

“O conhecimento é libertador. A partir do momento em que há consciência de que a roupa pode e deve ser acessível a todos, de forma inconsciente o indivídio passa a questionar a ausência de elevadores, rampas e piso tátil, a conservação das calçadas e a largura das portas, por exemplo. Nasce então o engajamento social, o envolvimento com as questões do outro” escreve Linamaria Rizzo Battistella, secretária do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, na abertura do livro do 9º Concurso Moda Inclusiva.

A Secretaria do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência é responsável pelo projeto da moda inclusiva a realização do Concurso. A proposta do concurso é incentivar estudantes e profissionais do mercado de moda a criar soluções que facilitem o cotidiano das pessoas com deficiência e discutir novos conceitos de criação sob a perspectiva da inclusão.

Nesta nona edição o concurso contou com 15 estudantes de faculdades de moda de todo o país. A grande vencedora foi Robertha Pereira Navajas, da Universidade Santa Marcelina, de São Paulo. Robertha premiou os dois looks que apresentou – um em terceiro lugar e o primeiro lugar. A segunda colocada foi Iguia Telita de Medeiros Lima, da Universidade Potiguar, de Natal, Rio Grande do Norte.

Looks premiados

Da esquerda para direita: look que ficou em segundo lugar e criado por Iguia Telita de Medeiros Lima; ao centro o terceiro lugar e na esquerda o look vencedor, os dois criados por Robertha Pereira Navajas

3º lugar – Robertha Pereira Navajas

O corpo tem diversas formas de comunicação, seja pela fala, seja pelos gestos, toque, transpiração, respiração ou olhares. A dança é uma forma de expressão em que o bailarino mostra toda sua emoção com seu corpo. Pessoas com deficiência aderem a esta técnica e demonstram habilidades incríveis e passam mensagens através de seus corpos. A partir do conhecimento da dança, foram feitos estudos sobre tecidos, modelagem e aviamentos que pudessem dar maior mobilidade e autonomia às pessoas com ou sem deficiência. Por meio da imagem de moda foi possível criar um look despojado e que atende todas as necessidades para facilitar o dia a dia.

O casaco conta com um sistema que funciona por meio de um app de celular que avisa com alertas sobre temperatura e umidade da peça, mantendo o usuário informado e com isto evitando doenças como pneumonia. Mangas removíveis dão versatilidade à peça. Passagem interna de fones de ouvido, regulagem nas mangas, cós e barras do casaco e da calça permitem o ajuste em diversas medidas do corpo. A calça possui abertura total do cós  através de velcro e zíperes nas pernas.

2º lugar – Iguia Telita de Medeiros Lima

A inspiração foi na força e na complexidde presentes na cinematografia de Pedro Almodóvar. O ponto de partida foi a obra Carne Trêmula, que traz um cadeirante como protagonista e retrata o seu cotidiano independente. O look foi pensado para ampliar a autonomia de pessoas com deficiência motora e facilitar a escolha para aquelas com deficiência visual por meio das texturas. Ainda mergulhada no universo de Almodóvar que sempre traz à tona questões de gênero e sexualidade, a criação vem alinhada ao conceito de design universal na moda sem gênero.

A peça apresenta as seguintes funcionalidades: fecho frontal da camisa com botões magnéticos, abertura com zíper nas mangas, bolsos frontais bordados. Todos os zíperes trazem argola auxiliar. A estampa de listras é artesanal conferindo textura e facilitando a escolha da roupa por pessoas com deficiência visual (a textura é o que faz os bordados serem funcionais na moda inclusiva também). Calça com abertura frontal com fechos magnéticos e a modelagem foi pensada para melhor caimento na posição sentada. A peça conta com bolso interno para bolsa coletora também.

1º lugar – Robertha Pereira Navajas

A inspiração foi nas diversas formas de comunicação e na dança como forma de expressão em que o bailarino mostra toda sua emoção com seu corpo. O look vencedor é um conjunto de calça e colete com sistema de comunicação implantado. O sistema funciona por meio de um aplicativo de celular que alerta sobre temperatura e umidade da peça. Conta com bolso interno para sonda, bolso para celular com visor externo para facilitar o manuseio e passante interno para fones de ouvido. A calça tem cós regulável e zíper que facilita na hora de vestir.

Conversei com Robertha assim que terminou o concurso e ela me contou que não imaginava que ganharia em terceiro e primeiro lugar. A intenção dela em participar era fazer algo que ajudasse na saúde das pessoas como o app que avisa a temperatura e a umidade ajudam na saúde já que muitas vezes as pessoas com deficiência não tem a sensibilidade para sentir a temperatura e a umidade e com o aplicativo eles sabem a hora de trocar a roupa e evitar doenças como a pneumonia, por exemplo. “Eu tenho diabetes e uso aparelho e já fiz um vestido de noiva para uma moça que tem diabetes e que também usava o aparelho e fizemos um vestido que dava para ela curtir sua festa e usar o aparelhinho com facilidade.”

Enfim, só tenho a agradecer ao convite da Káthia Castilho da ABEPEM – Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda, que me chamou para o MoDe, evento para pensar moda realizado no final de semana e que contou com o projeto da moda inclusiva, também agradecer  a Daniela Auler que toca o projeto de moda inclusiva na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e a todos aqueles que se dedicam em tornar a moda mais inclusiva e acolhedora.

São açoes assim que fazem com que eu seja apaixonada pela moda, não qualquer “moda”, mas a moda que é pensada e criada para facilitar a vida das pessoas sempre, sejam pessoas com ou sem deficiência, altas, baixas, magras, gordas enfim moda que veste e acolhe pessoas com toda a diversidade de corpos. Amei esta questão do design universal!

Vida longa ao Concurso Moda Inclusiva e que cada vez mais marcas e designers criem dentro deste conceito de inclusão.

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